Dispositivo 3D da Unicamp recria ambiente da medula óssea e abre caminho para novos testes de remédios

Dispositivo 3D da Unicamp recria ambiente da medula óssea e abre caminho para novos testes de remédios

Dispositivo 3D da Unicamp recria ambiente da medula óssea
Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um dispositivo 3D que recria, em laboratório, o ambiente da medula óssea. A tecnologia está em fase inicial de testes e, segundo os responsáveis pelo estudo, pode abrir caminho para novas formas de testar medicamentos.
Os experimentos foram realizados com células de animais, em ensaios pré-clínicos e in vitro. Até o momento, o dispositivo não foi testado em humanos.
Como funciona?
O equipamento foi criado para reproduzir, fora do corpo, as condições que permitem a formação do sangue. Esse processo acontece na medula óssea e depende da interação entre diferentes tipos de células.
De acordo com o pesquisador Marcus Corat, do Laboratório de Modelos Biológicos do Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica (Cemib), o dispositivo consegue “mimetizar o ambiente de sinalização na medula óssea, onde você pode produzir células sanguíneas”.
Na prática, ele funciona como uma estrutura onde essas células ficam organizadas e conseguem se comunicar, o que ajuda a manter a atividade por mais tempo.
Dispositivo 3D imita ambiente da medula óssea em laboratório
Igor Alisson/Inova Unicamp
Oito anos de estudo
O estudo começou há cerca de oito anos. Primeiro, os pesquisadores buscaram entender como recriar, em laboratório, a comunicação entre as células da medula óssea.
Durante essa etapa, eles identificaram uma combinação de células que conseguiu preservar por mais tempo as características das células-tronco responsáveis pela formação do sangue.
A partir daí, desenvolveram o dispositivo em 3D, feito de um material compatível com o corpo humano. Ele funciona como uma estrutura onde as células ficam organizadas e conseguem se manter vivas e funcionando.
‘Minifábrica’ de células
Uma das principais aplicações em estudo é o uso da tecnologia para testar medicamentos.
“[A ideia é que] A gente consiga testar in vitro diferentes drogas antes de tentar fazer isso com paciente. Então a gente consegue eliminar o uso de animais para fazer alguns testes na questão da hematopoese [produção de células sanguíneas]”, explica o pesquisador.
Outra possibilidade, um pouco mais distante, é usar o dispositivo como um implante no corpo humano. A ideia é que ele funcione como uma espécie de “minifábrica” de células sanguíneas.
“Nesse caso, ele poderia servir como um minitransplante dentro do organismo da pessoa e verificar se existe alguma rejeição”, afirma.
A tecnologia teve pedido de patente depositado e está disponível para licenciamento, segundo os pesquisadores.
Corat reforça que ainda vai levar tempo até que isso chegue aos pacientes. “Quando você tem alguém na família que poderia se beneficiar desse tipo de coisa, essa pessoa quer isso para ontem, mas existe todo um caminho científico e ético que precisa ser seguido”, frisa.
Pesquisador Marcus Corat, do Laboratório de Modelos Biológicos do Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica (Cemib)
Igor Alisson/Inova Unicamp
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